poeta amado(r)
pelamordedeus!!!! acabo de ler seu livro - vou reler umas tantas vezes
para (re)descobrir e (re)aprender as palavras e os (im)possíveis
que você (re)inventa e sei que cada releitura será de (re)encantamento
e (re)confirmação do prazerdotexto - por saber disso vai
tanto "re" nesse início de mensagem
você parece ter fome de palavras: inventa acasala umas antigas
e faz novas dá uma melhorada em outras velhas conhecidas com
uma letra(fonema) que acrescenta ou tira ou dobra e lá está
a palavranovinhaemfolha para o que precisa dizer
não lhe bastam as palavras de uma língua e ousa até
subverter as estrangeiras ou as incorpora taisquais devorando sentidos
vai da norma culta ao calão sem evitar o palavrão e do
sublime ao sórdido e traz pro texto o escatológico (exemplar
é "amor de sexta") e ainda assim não se esquece
de fazer metapoesia ou de cometer as delicadezas de "a filha"
e "saudades" ou de traduzir uma enorme sensibilidade como
em "rio de janeiro em janeiro" isso para não deixar
de instaurar o realismo tapanacara sem ilusões e ainda assim
belíssimo que está em "uma mulher"
putaquepariumeulouro vá-ser-bom-assim-no-inferno porque na terra
você mata os outros de inveja e no céu não há
lugar para poetas como você pra não matar deus de medo
do poder da palavra que aliás foi ele que inventou quando pronunciou
o "fiat lux" como já não havia na república
de platão porque poeta é mesmo subversivo e é feito
de carne e osso e de sangue e de desejo e de gozo e de palavras e de
olhos de veromundo
e o que você faz com as criaturas que informam sua poesia é
pura homenagem mais cheia de ludismo do que de elogios o que aliás
seria um saco se tivesse feito e só por isso porexemplo traz
uma (re)leitura dos sertões euclidianos agora passados a limpo
nas "folhas A4" e portanto (re)atualizados em releitura amadoriana
não quero pensar nos augustos cãessemplumas e nem divagar
nos campos nem nas veredas de rosa quando leio a poesia do amado(r)amigo
que é mesmo faca[s]solâmina em demanda da melhor palavra
para falar com você através de meu teclado coloquei no
drive a voz do manocaetano em burn it blue porque seus poemas queimam
e me incendeiam em azul ternura e em vermelho verdade e em roxo desejo
de prazer (de seus textos, é claro!) graças a sua competência
de bruxo que conhece o caminhodaspedras
como você brinca com a lingua para inventar sua linguagem poética
dou-lhe um beijo "não técnico" ainda que virtual
mandado na madrugadamiga da boêmia tão nossomundo.
Sônia
mail to: landy@landy.com.br
©
Copyright by Sônia van Dijck, 2003
Publicado in:
Fabulação. Um novo tempo, João Pessoa,
ano 2, n. 7, jan. 2004, p. 29-30.
Composição
dodecafônica (autor desconhecido)