| MEU CARO LINS CARTAS DE OLÍVIO MONTENEGRO |
Projeto ATELIÊ DE JOSÉ LINS DO REGO Série: Correspondência passiva - Subsérie: Cartas de Olívio Montenegro - Código do projeto: AJLR - Código dos documentos: CP-OM |
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| CONTRIBUIÇÃO À MEMÓRIA CULTURAL Sônia Maria van Dijck Lima
é preciso preservar como patrimônio estes conjuntos orgânicos de informações e respectivos suportes, por razões de transmissão cultural e visando a constituição/reconstituição incessante das formas de identidade de um grupo social como tal; de outro lado, é imprescindível assegurar aos historiadores os testemunhos de cada geração, do modo de pensar e atuar de seus elementos, quando na sua contemporaneidade. (l) Por sua vez, Amos Segala observa que este fim de século XX destaca-se pela atenção especial dirigida à preservação, ao inventário e à análise dos testemunhos que definem a identidade dos povos, como se a rapidez frenética das inovações tecnológicas levasse, em um movimento de auto-defesa (sic) e retorno às origens, a proteger os componentes de um patrimônio e de uma memória a um tempo essenciais e perecíveis. (2) Longe de fundar-se em uma atitude nostálgica
face à fragmentação de nossa modernidade, invadida
por uma espécie de cultura do provisório, ou de motivar-se
no cultivo da neofobia, como reação às mudanças
geradas pela tecnologia e pelas conquistas científicas, esse
retorno ao passado na comemoração do nascimento de Olívio
Montenegro, através do encontro com documentos de arquivo, integrantes
das raízes de uma identidade cultural, tem inspiração
de posição política. preservar os testemunhos da criação e do pensamento e tornar acessíveis à pesquisa internacional os manuscritos dos criadores e intelectuais é um gesto de profundo civismo mediante o qual afirmamos nossa identidade e asseguramos a continuidade, a sobrevivência de nossa herança cultural. (3) Poderíamos ampliar nossos argumentos,
mas cremos ter demonstrado suficientemente nossa compreensão
do trabalho com documentos de arquivo e nossa motivação
quando formulamos o projeto "Ateliê de José Lins do
Rego", no quadro do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas
e do Curso de Pós-Graduação.em Letras, da Universidade
Federal da Paraíba. O ARQUIVO DE JOSÉ LINS DO REGO A Fundação Espaço Cultural
da Paraíba (FUNESC) criou e instalou, em
1983, o Museu José Lins do Rego. O Museu conta com peças
de engenho, fotografias do patrono, de alguns de seus familiares e amigos,
exemplares de sua obra (algumas primeiras edições e parte
das traduções), seu gabinete de trabalho reconstituído.
Em conseqüência da criação do Museu, o acervo
documental de Lins do Rego foi colocado sob a custódia da FUNESC.
Por não se incorporar ao conjunto de peças em exposição
no Museu, a documentação foi destacada dos demais materiais
e guardada. conjunto de papéis e material audio-visual ou iconográfico resultante da vida e da obra/ atividade de estadistas, políticos, (...) cientistas, escritores, artistas, etc. Enfim, pessoas cuja maneira de pensar, agir, atuar e viver possa ter algum interesse para as pesquisas nas respectivas áreas onde desenvolveram suas atividades; ou ainda, que as informações inéditas contidas nos seus documentos, se divulgadas na comunidade científica e na sociedade civil, tragam fatos novos às ciências, à arte e à sociedade. (4) A importância de Lins do Rego no conjunto da produção brasileira e a relevância de sua obra regionalista são por demais conhecidas e têm sido ressaltadas pela crítica especializada. Contudo, os materiais de seu arquivo podem acrescentar dados que estimulem o aprofundamento da discussão crítica em torno de sua produção. Seu fazer poético ainda não está suficientemente conhecido, embora seja extensa sua fortuna crítica; nesse caso, o estudo de seus manuscritos trará esclarecimentos quanto a fases de escritura, quanto a seus modos de proceder, penetrando na gênese de seu discurso (5). O PROJETO "ATELIÊ DE JOSÉ LINS DO REGO" Iniciado em 1988, o projeto "Ateliê
de José Lins do Rego" é a primeira proposição
de trabalho sobre o arquivo do autor de Usina a ser implantada
(6). A proposta tem múltiplas faces.
Pretendendo organizar e estudar os documentos, estabelecia, inicialmente,
a contribuição para a conservação do acervo
como uma tarefa natural. Logo descobrimos que o compromisso "natural"
com a preservação devia ser encarado como fundamental:
nas condições em que encontramos a documentação,
ou tomávamos imediatamente um mínimo de cuidados para
a manutenção da vida dos materiais ou, em breve tempo,
não haveria muito o que se organizar e tampouco o que ser estudado
no decorrer do trabalho. O projeto providenciou, dentro de seus limites,
uma verdadeira operação de socorro aos documentos. Os
papéis foram retirados dos úmidos envelopes de papel "madeira"
em que viviam em estantes abertas e encostadas nas paredes e transportados
para armários de aço fechados. Certos documentos foram
limpos com pincel e outros receberam banhos. O consultor técnico
do projeto, Edson Almeida de Macedo, restaurou alguns documentos e orientou
o trabalho de uma das bolsistas encarregada dos procedimentos de conservação.
Foram recuperadas verdadeiras preciosidades, como os originais de uma
das fases de escritura de Pureza, o manuscrito do texto de
apresentação de Gregos e troianos, o diploma
de Direito de Lins do Rego, atualmente exposto no Museu. Todavia, inúmeros
outros papéis esperam restauro; lamentavelmente, o projeto viu-se
privado do trabalho especializado do consultor técnico, em conseqüência
de decisões da administração da FUNESC,
que não nos cabe aqui discutir. O CATÁLOGO CP-OM Das cartas assinadas por Olívio Montenegro
surge a figura de um amigo fiel. Atento à obra do outro, acompanha
não só os lançamentos dos romances, mas também
lê os textos que Lins do Rego assina nos muitos periódicos
em que colaborou. Olívio Montenegro critica, elogia e oferece
sugestões e até mesmo dá notícia das críticas
sobre a obra do amigo que estão sendo publicadas. NOTAS Observação: Este
texto foi publicado em 1994. O Projeto “Ateliê de José
Lins do Rego” foi encerrado em maio de 2001.
© Copyright by Sônia Maria van Dijck Lima, 1994 |
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OLÍVIO
MONTENEGRO Eduardo Henrique Cirilo Valones Olívio Bezerra Montenegro,
nascido no dia 25 de agosto de 1896, no interior da Paraíba, fez
seus primeiros estudos na capital da província natal. Começou
a estudar Direito em São Paulo, onde terminara o curso secundário,
vindo a bacharelar-se, em 1917, na Faculdade de Direito do Recife. No
ano seguinte, foi nomeado Promotor Público de Nazaré da
Mata (Pernambuco) e, em 1923, Juiz Municipal do Recife.
MONTENEGRO, Olívio.
Memórias do Ginásio Pernambucano. Recife: Assembléia
Legislativa de Pernambuco, 1979. © Copyright by Eduardo Cirilo Valones, 1994 |
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