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CARTAS DE GILBERTO FREYRE

Sônia Maria van Dijck Lima

Nestor Figueiredo Jr.

Projeto ATELIÊ DE JOSÉ LINS DO REGO

Série: Correspondência passiva - Subsérie: Cartas de Gilberto Freyre - Código do projeto: AJLR - Código dos documentos: CP-GF

Criação: Gilberto Freyre

(ampliada)

Marca emblemática de Gilberto Freyre (cópia ampliada), aposta como sinal distintivo no suporte usado para a correspondência (papel de carta e cartão). Desenho em azul, sugere um escudo ou um brasão, cujo traçado da parte inferior lembra a origem espanhola do autor de Sobrados e mucambos, encimado por uma cruz, traduz a identidade cristã da personalidade a que deve remeter.

A paisagem central tem linhas limites que se aproximam da representação do coração. Vale a pena lembrar que, desde tempos antigos, o coração é visto como centro do corpo e sede da inteligência; de forma que, nos emblemas, o coração significa o amor como centro de iluminação e felicidade, aparecendo arrematado por uma cruz ou por outros elementos simbólicos.

Sendo a palmeira símbolo da região celeste, podemos tomá-la como sinal da terra utópica, do paraíso tropical, significado esse reforçado pelo traçado das ondas e pelo barco, que, inevitavelmente, trazem a lembrança do litoral brasileiro, particularmente do litoral da região Nordeste.

Deixando de tratar de outros significados da água e do mar, ressaltamos apenas que, além de símbolo da criação, o mar tanto pode ser o mundo como o coração humano, enquanto sede das paixões (e da inteligência criadora).

Outro elemento rico de significados é a barca/ o barco, que, na marca de Gilberto Freyre, aparece na linha do horizonte. Colocado no mar em movimento, além de indicar a travessia, o barco significa o espaço da segurança na busca do porto que se anuncia na terra pressagiada pela palmeira e para a qual se dirige.

Como se pode notar, o distintivo de Gilberto Freyre tem seus elementos harmonicamente escolhidos.

Como se trata do senhor do solar de Apipucos, a leitura da marca emblemática pode preferir restringir-se às sugestões de brasilidade, de tropicalidade, de paraíso luso-tropical, da terra de pindorama para onde se dirige o solitário barco*.

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NOTA

*Para a interpretação dos elementos simbólicos, recorremos a CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos, ed. rev. e aum. Trad. Vera da Costa e Silva et alü. Rio de Janeiro: José Olympio, 1988; e CIRLOT, Juan-Eduardo. Dicionário de símbolos. Trad. Rubens Eduardo Ferreira Frias. São Paulo: Moraes, 1984

É proibida a reprodução parcial ou total deste texto sem autorização

LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998

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