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.. ....HERMILO E ARIANO ........UM CAVALHEIRO QUE NÂO CONHECEU A DECADÊNCIA ....-COURBET e HERMILO....- OS AMBULANTES DE DEUS: E LA NAVE VÀ... -. O MARAVILHOSO EM HBF >O POPULAR COMO POÉTICA PRESENÇA DO GROTESCO NO TEATRO HERMILIANO . .......TEATRO NA NARRATIVA.......HeNOTÍCIAS ........ FOTOS |
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-.....- TEXTOS DE HERMILO BORBA FILHO-.... POEMAS PARA HERMILO ...... |
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Arquivo Hermilo Borba Filho (Recife - PE) |
| * Engenho Verde - Palmares (PE - Brasil), 8 de julho de 1917 - † Recife (PE - Brasil), 2 de junho de 1976 |
| dramaturgo, contista, romancista, cronista, tradutor, pesquisador, professor universitário, agitador cultural |
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Teatro (história) - 1950 |
1º romance - 1957 |
Pesquisa - 1966 |
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1º volume da tetralogia - 1966 |
Dramaturgia - 1966 |
Último romance - 1974 |
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Contos (última publicação) - 1976 |
Novela (póstuma) - 1976 |
Antologia - 2000 |
Algumas das primeiras edições - biblioteca Sônia van Dijck |
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Para marcar os 90 anos em que Hermilo Borba Filho, agora encantado, chegou à comunidade dos homens, um grupo de hermilianos reuniu-se, no Recife (PE - BRASIL)- 10 jan. 2007 -, com Leda Alves, para planejar a celebração do evento. Os hermilianos prometem grandes acontecimentos: Semana Hermilo Borba Filho, representações teatrais, edição especial da revista Continente com encarte Documento, exposições, e.a continuidade das reedições .da obra hermiliana. |
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Reunião preparatória da comemoração
dos 90 anos de Hermilo Borba Filho, um cavalheiro da segunda decadência
- Recife, 10 jan. 2007 |
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HERMILO DE PALMARES E DAS DORES DO HOMEM
Sônia Maria van Dijck Lima |
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Hermilo Borba Filho
Hermilo Borba de Carvalho - o pai
Irinéa Portela de Carvalho - Mãe Néa Fotos: Arquivo Hermilo Borba Filho (Recife - PE) |
Nascido no
Engenho Verde, município de Palmares, zona da mata-sul de Pernambuco,
em 8 de julho de 1917, Hermilo Borba de Carvalho
Filho dizia-se “... descendente de uma já então
decadente casta açucareira; dos tempos da opulência, ouvindo
apenas as estórias contadas, às vezes com alegria, às
vezes comicamente, outras com tristeza, sempre melancólicas,
pelos que faziam a minha família...”. Último
filho de Hermilo Borba de Carvalho e Irinéa Portela de Carvalho
(Mãe Néa), via com saboroso realismo seu estatuto de ponta
de rama: “Tive todas as oportunidades para ser bicha: doze
anos mais moço que meu irmão mais moço, mamando
até os quatro anos de idade, longos cabelos louros, roupinha
de marinheiro, dormindo na cama de meus pais, era um campo aberto. Só
que, entre outros, eu tinha dois irmãos machos pra burro: Luís
e Ruy. (...) Quando eu completei sete anos, idade de ir para escola
(...), Ruy me chamou à parte e me disse: ‘Olha, se quiserem
pegar na sua bunda meta o braço.’ E lá fui eu, de
tamborete, lápis, caderno, uma carta de ABC e o conselho de meu
irmão. No intervalo, lasquei a cabeça de um cara que me
alisou as pernas. Foi a minha vacina.” Atraído pelo tablado, ainda estudante de ginásio, entrou, em 1932, para a Sociedade de Cultura de Palmares, que levava peças no Teatro Cinema Apolo - hoje, restaurado, é a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho. Começou como ponto, depois foi ator e estreou como autor, em 1935, com Felicidade: “Eu toda a minha vida quis ser dramaturgo. Mesmo aos 16, 17 anos, escrevi uma peças que eram umas porcarias.” Passando a viver no Recife, a partir de 1936, ingressou na Faculdade de Direito, da Universidade do Recife. Iniciou-se no jornalismo, como crítico de teatro, logo ampliando o exercício para a crítica literária e a publicação de crônicas e de contos. Seu primeiro conto, “As pernas daquela moça”, saiu na revista Renovação, em 1941. Cheio de idéias a respeito da arte dramática, da valorização da cultura regional e do autor nordestino, inventou espaços para maturação e ampliação de suas concepções. Em 1943, criou o Teatro Operário do Recife, do qual foi diretor, e, em 1946, assumiu a retomada do TEP. Para a empreitada, reuniu Ariano Suassuna, Gastão de Holanda, Lula Cardoso Ayres e Capiba. No repertório, autores como Sófocles, Tchecov, Shakespeare, Ibsen, Garcia Lorca, o próprio Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna, que recorda seu batismo no mundo de Dioniso: “Nos encontramos pela primeira vez, quando entramos ambos para a Faculdade de Direito, no ano de 1946. Ali teria início, sob a liderança dele, o importante movimento do Teatro do Estudante de Pernambuco. Nós íamos para a faculdade pela manhã, mas a universidade onde realmente se fazia a nossa verdadeira formação era a casa de Hermilo, na Rua do Capim, casa onde, à noite, nos reuníamos até altas horas, conversando, concordando e discordando, brigando e ensinando. Hermilo, que acreditava demais em mim, metia-me na mão, quase à força, os livros que achava que ajudariam na minha caminhada. Foi ele quem praticamente me intimou a escrever a primeira peça de teatro.” |
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Em 1952, encerraram-se as atividades
do TEP, e Hermilo mudou-se para São
Paulo, onde trabalhou para a revista Visão; e foi colaborador
de Alberto Cavalcanti, dirigindo o departamento de argumentos da Kino-Filmes.
A crítica de teatro da Última hora e do Correio
paulistano tinha sua assinatura. No teatro, dirigiu grupos de renome
como a Companhia Nydia Lícia-Sérgio Cardoso e a Companhia
Cacilda Becker, entre outros. Foi sua a direção do Auto
da Compadecida (de Ariano Suassuna), no Festival Nacional de Teatro.
Na década de 50, suas peças estiveram em cartaz no Teatro
Álvaro de Carvalho, em Florianópolis, no Municipal do
Rio de Janeiro, no Teatro Duse, de Paschoal Carlos Magno. A DRAMATURGIA HERMILIANA Combatente por um teatro do Nordeste, não defendia o exclusivismo regionalista e entendia que, para atingir uma expressão universal, devem ser transfigurados os problemas que afligem a humanidade. Suas primeiras peças, Electra no circo (1944), João Sem Terra (1947), A barca de ouro (1949), além do cunho trágico, têm em comum a sondagem da condição humana. Para o Auto da mula-de-padre, peça de 1948, explorou o pensamento mágico popular, retomando as histórias de assombração que circulam de boca em boca. Depois de Um paroquiano inevitável (1965), na qual o grotesco domina a representação, escreveu A Donzela Joana (1966), com o motivo da expulsão dos holandeses de Pernambuco, transferindo para o Nordeste os feitos da donzela de Orléans: recriada moça humilde do interior de Pernambuco, com a missão de expulsar os holandeses, libertar Olinda e coroar João Fernandes Vieira – resistência ao arbítrio dos poderosos e luta pela restauração dos direitos da cidadania - ora, se aconteceu na França, por que não poderia acontecer por aqui?... Hermilo, que não chegou a ver esse espetáculo, queria, no palco, personagens humanas contracenando com bonecos de mamulengo, figuras do bumba-meu-boi, pastoras do pastoril. Retomando espetáculos e folguedos populares, deu espaço para a contenda entre cantadores, como em um dos momentos do interrogatório da Donzela: desafia o inquisidor Penico Branco: “Vou fazer-lhe outra pergunta,/ tome nota do recado:/ quero que você me diga/ o que é mal-empregado.”; responde a acusada: “Doutor, eu vou lhe dizer/ o que é ‘ mal-empregado’:/ é uma moça bonita/ casar com rapaz safado;/ é um vaqueiro ruim/ num cavalo bom de gado;/ paletó de pano fino/ num corpo mal-amanhado;/ é um cabra preguiçoso/ abrir um grande roçado:/ abre, planta e não o limpa,/ perde o legume plantado./ Disso tudo é que se diz:/ Ó, meu Deus, mal-empregado!”. Em Sobrados e mocambos: uma peça segundo sugestões de Gilberto Freyre nem sempre seguidas pelo autor (1972), tem-se um mosaico da vida social e familiar brasileira, pois os elementos de conflito não são exclusivos da história nordestina: a escravidão, a marginalização do negro, do mulato, do índio, da mulher, a presença do capital estrangeiro, a religiosidade e as superstições, a chegada da máquina na economia açucareira, o poder da Igreja, o surgimento dos bacharéis, a lubricidade dos comportamentos. Para ilustrar a moralidade da família tradicional, vejamos o diálogo entre os noivos apressados: pergunta a Sinhazinha: “E por aí é natural?”; explica o Senhorzinho: “É mais do que natural/ pra virgindade guardar.” A NARRATIVA HERMILIANA Agitador cultural, dramaturgo
e encenador, inquieto e polígrafo, Hermilo
fez traduções, escreveu história do teatro e teoria
do espetáculo e mergulhou na pesquisa da cultura popular, deixando
contribuições sobre cantigas, cerâmica, literatura,
folguedos e espetáculos populares, como por exemplo Fisionomia
e espírito do mamulengo: o teatro popular do Nordeste
(1966). Em 1955 concluiu seu primeiro romance: Os
caminhos da solidão, publicado em 1957, no qual Nelly
Novaes Coelho nota “o ritmo ‘câmara lenta’
(...) a predominância da memória sobre a atuação
viva no presente e a tentativa consciente das várias técnicas
de narrar que caracterizam seu romance de estréia...”. |
| O LEGADO HERMILIANO No dia 2 de junho de 1976, sua voz silenciou. Já não podia mais continuar dizendo “que são imorais as guerras, as torturas, as bombas, todas as armas” (Deus no pasto, p. 204). Hermilo Borba Filho encantou-se na velha Recife. Para os hermilianos, ficou uma obra de denúncia e de transgressão, comprometida com as “dores do homem”; e mais os desafios de seu acervo e de seus projetos interrompidos. Para mim, uma paixão, que se fez verbo no dia em que entrei em seu arquivo, tendo como cúmplice esse cavalheiro da segunda decadência.
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Hermilo Borba Filho Foto: Arquivo Hermilo Borba Filho (Recife - PE) |
Sônia Maria van Dijck Lima, além de vários artigos em periódicos, publicou sobre Hermilo Borba Filho: Um cavalheiro da segunda decadência: busca degradada de valores autênticos (1980); Hermilo Borba Filho: fisionomia e espírito de uma literatura (1986); Gênese de uma poética da transtextualidade: apresentação do discurso hermiliano (1992). Veja também: Diálogo transtextual numa cosmogonia carnavalesca (Sônia van Dijck) |
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.....- TEXTOS DE HERMILO BORBA FILHO-.... POEMAS PARA HERMILO ...... |
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