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NATAL - TUDO QUE RELUZ É OURO Cunha de Leiradella |
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Encontrei ontem o meu compadre Zé das Couves derreado, mal podendo respirar, carregando um tantão de sacos de compras. Ora, compadre, disse-lhe eu, quê que é isso? Fazendo reservas? Compadre, diz-me ele, fazendo reservas, não senhor. São só umas compritas de Natal. Compritas, compadre? Compritas sim, homessa! Se a minha reforma, no ano que vem, vai diminuir, uma pessoa tem é mais que aproveitar enquanto pode. Mas deixa-me ir. Deixa-me ir, que ainda tenho que fazer os embrulhos para os presentes. |
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E lá se foi
o meu compadre Zé das Couves, curvado com o peso dos sacos. Fiquei-me
a vê-lo andar e a pensar: Caraças, o compadre tem razão.
Se uma pessoa não gozar o que tem, adeus viola. E fui para o café
tomar um cheiinho, com um cheirinho dos antigos. |
| O Natal, hoje,
nada mais é do que a festa magna do consumismo. Tudo se vende,
tudo se compra, e se não puder pagar a pronto, pague em suaves
prestações. E não precisa prometer não cair
mais em tentação. A propaganda das grandes superfícies
mete um advogado que o defenda e Jesus Cristo Nosso Senhor, remetido a
um mero acidente de percurso, perdoará o atropelamento dos pecados
capitais. Afinal, depois de anos e anos de jejum, todo mundo tem direitos.
Pelo menos de se endividar. Ou não?
Mas hoje tem. Hoje todos podem
comprar, nem que seja só uns telemoveizitos para dar à família,
homessa! |
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Midi: Happy Christmas (J. Lennon e Yoko Ono) |