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ESTUDOS
E
COMENTÁRIOS CRÍTICOS
Amador Ribeiro Neto
Arriete Vilela
Castro Pinto
Cunha de Leiradella
Elisa Nazarian
Hermilo Borba Filho
Idelette Muzart F. dos
Santos
João Guimarães
Rosa
José
Lins do Rego
Luiz Ruffato
Marcos
Rodrigues
Políbio Alves
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Este ensaio foi orientado por Lafetá, em
horas e horas de gostosas discussões.
Ao professor e colega, meu agradecimento,
in memorian.
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Publicado in: Estudos. Lingüísticos
e literários, Salvador, Universidade Federal da Bahia,
Instituto de Letras, n. 12, dez. 1991, p. 185-201.
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II
- OS GATOS
(a)
(14-X-33)
Que beijos que eu dava...
Não tigre, vossa boca é mesmo que um gato
Imitando tigre.
Boca rajada, boca rasgada de listas,
De preto, de branco,
Boca hitlerista,
Vossa boca é mesmo que um gato.
Nas paredes da noite estão
os gatos.
Têm garras, têm enormes perigos
De exércitos disfarçados,
Milhares de gatos escondidos por detrás
da noite incerta.
Irão estourar por aí de repente,
Já estão com mil rabos além de São Paulo,
Nem sei mais si são as fábricas que miam
Na tarde desesperada.
Penso que vai chover sobre os amores dos gatos.
Fugirão?... e só eu no deserto das ruas,
Oh incendiária dos meus aléns sonoros,
Irei buscando a vossa boca,
Vossa boca hitlerista,
Vossa boca mais nítida que o amor,
Ai, que beijos que eu dava...
Guardados na chuva...
Boiando nas exurradas
Nosso corpo de amor...
Que beijos, que beijos que eu dou!
Vamos enrolados pelas enxurradas
Em que bóiam corpos, em que boiam os mortos,
Em que vão putrefatos milhares de gatos...
Das casas cai mentira,
Nós vamos com as enxurradas,
Com a perfeita inocência dos fenômenos da terra,
Voluptuosamente mortos,
Os sem ciência mais nenhuma de que a vida
Está horrenda, querendo ser, erguendo os rabos
Por trás da noite, em companhia dos milhões de gatos verdes. |
(b)
(15-X-33)
Me pus amando os gatos loucamente,
Oh China!
Mas agora porém não são gatos tedescos,
Tudo está calmo em plena liberdade,
Se foram as volúpias
e as perversões tão azedas,
Eu sou cravo, tu és rosa,
Tu és minha rosa sincera,
És odorante, és brasileira à vontade,
Feito um prazer que chega todo dia.
Mas eu te cresço em meu desejo,
Ai, que vivo arrasado de notícias!
Murmurando com medo ao teu ouvido:
Ôh China! ôh minha China!...
Tu te gastas sob o meu peso bom,
Teus lábios estão alastrados na abertura do reconhecimento,
Teus olhos me olham, me procuram todo...
Mas eu insisto em meu castigo, ôh China.
Como um gato chinês criado através
de séculos de posse e de aproveitamentos,
Para meu goso só, pra meu enfeite só de mim,
Pra mim, pra mim, tu foste feita, ôh China!
Estou te saboreando, és gato china que apanhei vagamundo na rua,
Ôh China! ôh minha triste China,
Estarei pesando, te fazendo pezar sem motivo,
Estou... estava, ôh minha triste sina,
Até que fui guardar nos teus cabelos perdidos
Lágrima que não pude sem chorar.
Mário de Andrade
In:
A costela do Grão Cão.
Grã Cão de Outubro. Poesia completa.
O poema está reproduzido
a título de ilustração e para facilitar a leitura
do ensaio. |
"OS
GATOS": EXPRESSÃO DE ANGÚSTIAS ARCAICAS
Sônia Maria van Dijck Lima
O amor? me gasto, me gozo.
mas não afasto as visões.
Mário de Andrade
Tomando
por base a afirmativa de Freud de que "a obra 1iterária,
como o devaneio, é uma continuação ou um substituto,
do que foi o brincar infantil" (1), procuraremos compreender em
"Os gatos", poema de Mário de Andrade (2), a motivação
poética como um reflexo da experiência arcaica do desejo
que remonta à infância.
A abordagem escolhida encontra justificativa ainda à luz das
formulações freudianas: "Uma poderosa experiência
no presente desperta no escritor criativo uma lembrança de uma
experiência anterior (geralmente de sua infância), da qual
se origina então um desejo que encontra realização
na obra criativa. A própria obra revela elementos da ocasião
motivadora do presente e da lembrança antiga" (3).
Contudo, não pretendemos traçar a psicologia do poeta
da Paulicéia, não vamos analisar sua personalidade. Nem
isso é de nosso interesse. Os conceitos psicanalíticos
serão auxiliares para a compreensão do lirismo (entendido
como manifestação do eu) que se atualiza nas imagens do
poema.
Ao longo de nosso trabalho, levamos em conta as considerações
de João Luiz Lafetá, que estudou, cuidadosamente, o mesmo
poema de Mário de Andrade (4).
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O
poema "Os gatos" está dividido em duas partes, como que
correspondentes a fases de um processo de expressão lírica,
ou a dois atos de um mesmo drama da manifestação do desejo.
Ambas as partes são datadas, indicando que o texto foi escrito
em dias imediatamente sucessivos. O poeta tendo composto a primeira parte,
poema "(a)", no dia 14 de outubro de 1933, sente necessidade,
no dia seguinte, de "viver" o segundo ato de seu drama interior,
poema "(b)", como se não tivesse esgotado toda a manifestação
da subjetividade em um só movimento expressivo. Desenvolve uma
temática da expressão do desejo. No entanto, longe de manifestar
uma idealização amorosa, revela o conflito interior, a aflição
do assomar dos impulsos. Mas não adiantemos considerações.
Melhor será procedermos a uma leitura sistemática dos versos,
tentando captar os sentidos das imagens.
Vejamos, então, como se desenvolve o primeiro ato ou primeira parte.
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Tomando-se o primeiro verso
Que beijos que eu dava...
vemos que o discurso lírico se anuncia como uma narrativa de
uma experiência do passado, sendo que, enquanto durou, a ação
foi iterativa. Porem, o "relato" é interrompido. Tentemos
compreender essa interrupção recorrendo a Ernst Kriss:
"A arte, por certo, relaciona-se com o transe e o sonho, como se
observou desde Platão. Mas por outro lado ela se liga a uma racionalidade
rigorosa e controlada. Nenhuma análise do processo estético
é adequada sem esse componente intelectual" (5). O tom narrativo
de uma experiência colocada num passado indeterminado conduziria
a rumo excessivamente confessional? O poeta cerebral Mário de
Andrade teria evitado a confissão preferindo a ambigüidade?
A partir do segundo verso,
Não tigre, vossa boca é mesmo que
um gato
o discurso assume um tom descritivo do objeto de contemplação
do eu 1írico. Surge uma enumeração intensa de características
do objeto, que o definem qualitativamente, apesar da ambigüidade
das imagens (segundo ao sétimo verso).
Ao evocar Que beijos que eu dava..., o
eu denuncia sua própria experiência de excitação
oral e o curso da expressão é imediatamente conduzido
à boca. Presentifica-se o objeto
— o outro — em boca, tanto
que o eu passa a "dialogar" com esse outro por um instante
(segundo ao sétimo verso); veja-se o emprego de vossa (segunda
pessoa). Vale notar que, no emaranhado de revelações e
ocultamentos do texto lírico, o eu, que a princípio deixa
entrever sua própria excitação oral (ou a lembrança
dela), aparentemente se desvia da fonte de suas pulsões eróticas
e fixa-se no outro, exatamente em boca.
A leitura desses primeiros versos mostra que qualquer informação
a respeito dos contornos do corpo desse outro está ausente; boca
é tomada como síntese, impondo-se como
objeto do desejo, numa construção metonímica. A
imagem boca permite o desdobramento da
figura do gato. Não estamos lidando
com o desejo em si, mas com sua manifestação através
da palavra poética, considerada reveladora. Temos que nos de
ter no plano da palavra e investigar revelações. No poema
"(a)", o vocábulo boca
marca o texto com sua presença: oito vezes, sendo que aparece
cinco vezes em seis versos seguidos na primeira estrofe. Podemos concluir
que a imagem boca é
dominante na subjetividade que aflora, donde de seu privilégio
no discurso. Mas a repetição obsessiva de boca
indica não só o domínio da imagem no subjetivo,
pois a repetição mesma sugere a intensidade do desejo.
Analisando a função metonímica de boca,
entendemos que o eu tem de seu objeto uma visão parcial. Em outras
palavras, o eu revela em relação ao outro um "amor
parcial" (= amor por um órgão) (6), visto que não
é ao corpo por inteiro que o desejo se dirige. Segundo Marie
Bonaparte, "o amor parcial" marca um dos estágios da
libido infantil (7). Em "Os gatos" (primeira parte), esse
"amor parcial" é dedicado à boca. Contudo, conforme
notamos antes, é "desviando-se" de sua própria
excitação oral que o eu fala do (ou com)
outro detendo-se em boca. Até esse
momento da análise, podemos interpretar que o jogo de velar e
revelar do discurso lírico sugere a permanência da fase
de erotismo oral, característica das crianças em período
de amamentação. Vale salientar que entre os caracteres
de boca está a cor branca (quinto
verso), que remete a lembrança do leite.
Com os elementos de que dispomos, podemos reconsiderar o primeiro verso,
vendo que há forte carga libidinal na evocação:
Que beijos que eu dava. . .
— mais forte ainda por ser reticente. Assim, o verso inicial ganha
novas dimensões semânticas. Em sua ambigüidade, pode
conter uma apreciação valorativa da experiência
— note-se, inclusive, o que enfático
da abertura. O passado imperfeito remete a experiência para um
tempo indeterminado e, então, conota a lembrança de uma
vivência gratificante, ainda que pretérita. Logo, o significado
do primeiro verso amplia-se numa revelação da persistência
do desejo, podendo ser lido como
Que, beijos que eu daria... (8)
Retomemos a imagem boca e continuemos a
análise. No poema "(a)", boca
assume proporções gigantescas: boca - tigre - gato - gato
imitando tigre. Ao ser desdobrada em figuras de felinos, a imagem boca
adquire novas conotações. O felino conduz à idéia
de carnívoro, de perigo, de ameaça, de devoração.
Veja-se que no verso afirmativo
Vossa boca é mesmo que um gato
foi mantida a similaridade com o tigre (animal muito mais ameaçador
que o gato) por conta da descrição feita nos versos anteriores
(quarto e quinto versos):
boca/gato - rajada/
rasgada de listas/ De
preto, de branco = tigre
Entendemos o adjetivo hitlerista (sexto
verso, repetido no vigésimo verso) não apenas como decorrente
de preto e branco
(cores do emblema nazista), mas reafirmando os sentidos de ameaça,
destruição, ampliando-se para o de dominação,
cujo símbolo maior é a suástica (9).
Se vínhamos notando, até então, no discurso lírico
uma expressão de pulsões eróticas, devemos salientar
que essas não estão desacompanhadas da pulsão de
morte.
Nas dimensões semânticas adquiridas por boca/gato,
há uma relação de similaridade entre boca/gato
e órgão genital feminino. Marie Bonaporte comparando o
órgão genital feminino à figura do gato, aponta
semelhanças de "pelo espesso, quente, voluptuoso" e
conclui que "a mulher tem um gato onde o homem tem um pênis"
(10). A autora vê como feminino o comportamento do gato, não
só pela graça de maneiras, mas também "pela
traição de seus movimentos, onde a garra está sempre
pronta para surgir da pata de veludo" (11). Tendo interpretado
gato como metaforização da
genitália feminina, procuraremos compreender as conotações
de terror, de destruição, que fazem do texto uma expressão
de desejo e de tormento.
Utilizando-se das formulações freudianas, Marie Bonaparte
ressalta que, tendo acreditado que também os seres femininos
são dotados de pênis, o menino ao perceber, definitivamente,
as diferenças anatômicas entre si e as mulheres, julga
que elas foram vítimas da castração. Surge, então,
o terror de sofrer igual mutilação como punição
da masturbação. A autora afirma que "todo homem,
no fundo do seu psiquismo odeia ou despreza mais ou menos, na mulher,
a criatura castrada" (12), comportamento que pode ser exacerbado,
em casos patológicos, ao entender a mulher como castradora eventual
em virtude de a vagina feminina ser imaginada como dentada (13). Para
a mesma autora, o gato é a figuração totêmica
da mãe, intimamente relacionada à angústia da castração
na compreensão da mulher como ser castrado e castrador (14).
Se tomarmos, no poema de Mário de Andrade, gato
como representação da mulher/mãe, o que nos é
possível graças às conotações de
erotismo e à sexualização de boca,
percebemos nos significados de ameaça, de destruição,
a reminiscência da imagem da mulher castrada e castradora; a lembrança
da angústia da castração, na visão da genitália
feminina como cloaca dentada (15).
No início da segunda estrofe, o eu simula voltar-se para a contemplação
de um espaço externo. Na verdade, há incorporação
de elementos externos, tal como pode acontecer no sonho: "Para
a construção de um sonho não é essencial
um vínculo com um estímulo sensorial externo. Aquele que
dorme pode ignorar um estímulo desse gênero a partir do
mundo externo, pode ser despertado pelo mesmo sem construir um sonho,
ou (...) pode incorporá-lo a seu sonho, se isto lhe convier por
alguma razão" (16) .
Esse desvio aparente do objeto poderia corresponder a um processo de
resistência ao afloramento das pulsões do desejo, tão
intensas na primeira estrofe. A reminiscência e a permanência
de um desejo erótico são reprimidas nesse desvio.
Contudo, como diz Freud, "'reprimido' é um expressão
dinâmica, que leva em conta a interação de forças
mentais; implica na presença de uma força que procura
provocar toda uma série de efeitos psíquicos, inclusive
o de tornar-se consciente, e a essa força opõe-se uma
outra força contrária, capaz de obstruir alguns desses
efeitos psíquicos, inclusive também aquele de tornar-se
consciente" (17).
O espaço externo, no texto de Mário de Andrade, apresenta-se
como noite (oitavo verso), noite
incerta (décimo primeiro verso), tarde
desesperada (décimo quinto verso). É possível
interpretá-lo como a hora difusa da passagem do dia para a noite
(noite incerta, tarde desesperada),
da atividade (dia) para o repouso (noite). Poderíamos ainda tomar
noite como espaço do sonho, da liberação;
mas tal interpretação não satisfaz, pois se trata
daquele momento "indeciso" entre dois instantes. Portanto,
não se realiza a noite como espaço privilegiado do repouso,
do sonho, da liberação.
Por outro lado, a adjetivação atribuída à
noite indica que o sujeito do enunciado
é o sujeito da enunciação. Não se trata
exatamente de um espaço externo, mas de um espaço subjetivo,
interiorizado, onde se agitam as imagens que se sucedem, fortemente
carregadas de conotações de temor.
Assim é que os gatos, multiplicando-se,
passam a povoar, assustadoramente, todo o sítio, escondem-se
na paisagem e confundem-se com ela:
Nem sei mais se são as fábricas
que miam
Detendo-se na contemplação da paisagem, o eu desvia-se
de suas tensões eróticas, mas, como a repressão
é dinâmica de forças que interagem, as revelações
de desejo e angústias mantêm-se nos elementos do espaço
interiorizado. Como diz Freud: "É verdade que o reprimido,
via de regra, não pode emergir da memória sem maiores
dificuldades, mas conserva uma capacidade de ação efetiva
e, sob a influência de algum evento externo, pode vir a ter conseqüências
psíquicas que podem ser consideradas como produtos da modificação
da lembrança e como derivados dela, e que, se não forem
vistas por esse prisma, permanecerão incompreensíveis"
(18). Por isso os elementos externos, para os quais se volta o eu lírico,
terminam por alimentar a revelação das pulsões
interiores, na medida que também são elementos da subjetividade.
A utilização de Edgar A. Poe (19), a partir da introdução
da figura do gato (vejam-se as dimensões gigantescas do gato/tigre,
semelhantes às do gato Plutão), explicita-se no primeiro
verso da segunda estrofe:
Nas paredes da noite estão os gatos.
— numa recordação da silhueta de Plutão gravada
no tabique do quarto. A presença do texto de Poe poderia desviar
nossa leitura do sentido erótico do texto de Mário de
Andrade para uma leitura na categoria do fantástico ou do estranho
(20). Mas é exatamente o recurso do intertexto que nos autoriza
a somar aos significados de terror e de estranheza, o significado de
relação sexual dos gatos, que, pluralizados, usam o espaço
da noite para seu barulhento exercício amoroso sobre os telhados,
atividade amorosa essa confirmada no primeiro verso da estrofe seguinte.
Estabelecida, na primeira estrofe, a relação por similaridade
entre boca-gato-órgão genital feminino, o eu sente-se
invadido por Milhares de gatos..., traduzindo
um emergir mais forte do desejo. Ao mesmo tempo em que se intensificam
as pulsões eróticas, ampliam-se as noções
de ameaça, de destruição — pulsão
de morte: Têm garras, têm enormes
perigos, ...exércitos disfarçados,
...escondidos por detrás da noite
incerta, por exemplo
(nono, décimo e décimo primeiro versos, respectivamente).
São essas tensões subjetivas de ameaça que ditam,
no ultimo verso da estrofe, a sensação de tarde
desesperada, sugerindo o estado de conflito interior.
Observamos que a segunda estrofe não se refere literalmente aos
amores dos gatos (expressão do primeiro
verso da terceira estrofe), mas mostra esses felinos em atividade sexual
(Nas paredes da noite)
como ameaçadores, cuja sexualidade selvagem é capaz de
contagiar pela expansão:
Já estão com mil rabos além
de São Paulo,
Metaforizando a expansão da sexualidade dos gatos, o eu destaca
uma parte da anatomia desses animais: rabo.
Por sua forma, o rabo do gato aproxima-se da serpente, que também
e flexível e insinuante. De repente, como que os gatos tornados
em rabos insinuantes, podem invadir todos os lugares. Por outro lado,
na caça amorosa, o rabo do gato denota sua excitação,
pelo que se apresenta ereto, em movimentos vigorosos. O realce concedido
a rabos dos gatos, lembrando a serpente
coleante leva-nos à figuração das camadas profundas
do inconsciente, do reino noturno dos sonhos, onde emergem os impulsos
da libido (região cujo símbolo é a serpente). Ainda
o relevo dos rabos dos gatos, quando se
fala de sua atividade noturna, remete a ereção do pênis
— veja-se que, no trigésimo quinto verso, surge erguendo
os rabos. Considerando gato representação totêmica
da mulher/mãe, temos nos rabos dos gatos, além da figuração
das camadas profundas do inconsciente, a refalização da
mulher castrada (21).
O clima de tensão da segunda estrofe indica o estado de conflito
interior do eu lírico. O discurso poético aproxima-se
do conteúdo manifesto de um sonho de ansiedade (22). Assim sua
interpretação exige que tentemos traduzir os pensamentos
íntimos latentes, desfazendo a distorção que a
censura da resistência impõe ao aflorar das pulsões
do inconsciente (23). Por isso é que os elementos da paisagem
exterior, aparentemente contemplada, são figurações
das motivações mais íntimas, nas sensações
de ameaça experimentadas pelo eu.
Como já assinalamos, só no primeiro verso da terceira
estrofe a atividade dos gatos é, explicitamente, referida: amores
dos gatos. É sobre esses amores que, metonimicamente,
cairá a chuva, interrompendo-os:
Penso que vai chover sobre os amores dos gatos.
Lendo a sucessão de imagens da segunda estrofe como o emergir
de pulsões eróticas metaforizadas nos gatos, temos que
a chuva é introduzida como repressão dos impulsos do inconsciente.
Todavia, trata-se de uma expressão ambígua: Penso...
Os versos seguintes decidem a ambigüidade, uma vez que a alusão
à chuva traz esse elemento para a paisagem: chove (vigésimo
terceiro verso) e formam-se enxurradas (vigésimo quarto, vigésimo
sétimo e trigésimo versos). Ou seja, a chuva assume proporções
avassaladoras, diluvianas.
Na terceira estrofe, é retomada a imagem boca, mantendo-se as
conotações anteriores na repetição ...boca
hitlerista (vigésimo verso). As pulsões eróticas
parecem emergir mais fortes. Agora o eu declara:
Irei buscando a vossa boca,
Torna-se mais desmascarado, mais pungente o desejo:
Vossa boca mais nítida que o amor,
O espaço de tensões permanece interiorizado: deserto
das ruas (décimo sétimo verso), aléns
sonoros (décimo oitavo verso). Nesse espaço é
mais obsessivo o objeto do desejo, então nomeado a partir de
sua qualificação, que passa a sua própria substância:
incendiária. O décimo oitavo
verso
Oh incendiária dos meus aléns sonoros,
marca a metade do poema "(a)" — trinta e seis versos
— e é, na verdade, uma reutilização de um
verso de Paulicéia desvairada:
do poema "Tu" (24).
Em "Tu", aparece num contexto
que remete à criação de Edgar A. Poe, referido
textualmente. Lá, o verso de tom exclamativo completa-se no seguinte:
tu és meu gato
preto!, também exclamativo. Aqui em "Os
gatos", poema "(a)", mantendo Edgar A. Poe como uma alusão,
o verso ganha entonação de vocativo e é enfatizada
a carga erótica contida em incendiária,
feita a aproximação entre boca-gato-órgão
genital feminino, explicitando-se o desejo nos versos seguintes.
Em ambos os momentos ("Tu" e "Os gatos" —
poema "(a)"), revelam-se as angústias em relação
a esse outro = gato preto/boca/gato imitando tigre/incendiária/órgão
genital feminino. Para João Luiz Lafetá, em "Os gatos",
o desejo revela-se num processo de mascaramento, "objetivando-se
em símbolos de difícil interpretação; em
'Tu', a 'incendiária' é vista com maior liberdade, e por
isso mesmo a máscara é menos opaca e mais fácil
de apreender" (25).
A partir desse décimo oitavo verso, como que não se coíbem
mais as pulsões eróticas:
Irei buscando a vossa boca,
E o verso inicial e repetido como um gemido, ou suspiro de gozo (vigésimo
segundo verso) e, finalmente, transformado na exclamação
enfática do presente:
Que beijos, que beijos que eu dou!
Entendemos, portanto, que, nas motivações da criação
poética, se mantém ativa uma experiência do desejo
vi vida no passado (Que beijos que eu dava...—
ou daria [?...]) e que persiste no presente da posse amorosa na simbolização
da terceira estrofe.
Eliminadas as barreiras das pulsões eróticas (veja-se
o décimo nono verso), ocorre uma confusão de papéis.
Agora não são apenas os gatos em atividade amorosa, é
o eu que age como os gatos.e na posse do outro se confunde com o objeto
mesmo do desejo:
Nosso corpo de amor...
donde a sensualidade da exclamação do vigésimo
sexto verso.
A quarta estrofe inicia-se por uma indicação do mergulho
no prazer sexual:
Vamos enrolados pelas enxurradas
Mas o eu agora é dominado pela idéia de morte. Misturando-se
com os gatos através da prática sexual, dirige-se para
a morte, assim como aqueles. Desta forma compreendemos a chuva e sua
transformação em enxurradas: tal como um dilúvio
sobre uma nova Sodoma (a paisagem agitada e barulhenta da cidade na
segunda estrofe), a chuva/enxurrada arrasta todos os indivíduos
que se entregaram às paixões. Ou seja, nesse poema, a
liberação do desejo e o mergulho no prazer conduzem a
pulsão de morte (26).
Para a verdade do eu, realização da sexualidade significa
morte. Seu espaço, agora inundado, distancia-se das casas, como
metáfora da segurança desconhecida, pois tem suas bases
no mascaramento do desejo:
Das casas cai mentira,
E o eu deixa-se arrastar em obediência as pulsões de erotismo
e de morte:
Nós vamos com as enxurradas,
.................................................
Voluptuosamente mortos,
Vendo a marcante presença da água nas duas últimas
estrofes do poema "(a)", acreditamos ser pertinente que nos
detenhamos na tentativa de compreender a complexidade do símbolo
água (27). Notamos que as águas do texto de Mário
de Andrade são, na verdade, "águas de morte"
(28). A realização da sexualidade, correspondendo a um
mergulho nas enxurradas, seria vista como ameaçadora? demoníaca?
necessitando ser superada por meio de um rito de purificação?
Mircea Eliade, citando Cirilo de Jerusalém, anota: "...o
dragão Behemoth, segundo Job, estava nas águas e recebia
o Jordão na sua garganta. Ora, como era preciso esmagar as cabeças
do dragão, Jesus, tendo descido nas águas, atacou a fortaleza
para que adquiramos o poder de caminhar por sobre os escorpiões
e as serpentes" (29). O mesmo autor observa que "o 'homem
velho' morre por imersão na água, e da nascimento a um
ser regenerado" (30). Há, então, uma relação
mítica entre o mergulho nas águas (enxurradas) e a penetração
na fortaleza do Mal, portanto na morte, como ritual purificador. Assim
é que "o simbolismo das águas implica tanto a morte
como a renascença. O contato com a água comporta sempre
uma regeneração: por um lado porque a dissolução
e seguida de um 'novo nascimento’ , por outro lado porque a imersão
fertiliza e multiplica o potencial de vida" (31).
Logo, se de um lado a liberação das pulsões eróticas
é vista como mergulho no demoníaco, na morte, de outro
lado permite a satisfação da sexualidade, a "reintegração
passageira no indistinto, seguida de uma nova criação,
de uma nova vida ou de um 'homem novo'" (32), capaz de sentir-se
Como a perfeita inocência dos fenômenos
da terra,
A imersão nas águas/enxurradas, como morte simbólica,
pode ainda corresponder a um aplacar das tensões geradas pela
consciência do desejo, propiciando o retorno a um tempo anterior
ao conflito (vida pré-natal):
Os sem ciência mais nenhuma de que a vida
Está horrenda, querendo ser, erguendo os rabos
Por trás da noite, em companhia dos milhões de gatos verdes.
Todavia, Marie Bonaparte ressalta que "o gênero de morte
escolhido pelos homens, quer seja na realidade para si mesmos pelo suicídio,
ou na ficção para seus heróis, não é
com efeito jamais ditado pelo acaso, mas em cada caso, estreitamente
determinado psiquicamente" (33).
Como vimos antes, no poema "(a)", a liberação
sexual conduz à idéia de chuva repressora (décimo
sexto verso), que se torna enxurrada. Por isso o eu afoga na enxurrada
o objeto de seu desejo, figurado em gatos. Julgando-se culpado pela
vasão de seus impulsos, o eu confunde-se com os gatos e morre
voluptuosamente na mesma enxurrada. Em
sua natureza felina, o outro alimenta a ambigüidade de ser ao mesmo
tempo objeto de prazer mas também capaz de levar à morte.
Erotismo e morte são as motivações do primeiro
movimento de "Os gatos".
|
Só
depois do gesto supremo de morte do final da primeira parte, pode o eu dizer:
Me pus amando os gatos loucamente,
assinalando o. início de um segundo ato no seu drama íntimo.
Há ainda aqui a presença de Edgar A. Poe. O herói de
"O gato preto", depois de matar Plutão, cuja presença
se tornara aterrorizante, passa a buscar outro gato. O processo repete-se
no texto de Mário de Andrade: após matar/morrer o gato, o
eu acha-se amando (= buscando) os
gatos loucamente.
Surge a primeira referência literal à mulher: China.
A descoberta de uma mulher parece não trazer mais a sensação
de ameaça, de destruição:
Mas agora porém não são gatos
tedescos,
Tudo está calmo em plena liberdade,
Apesar da manutenção da figura do gato, há,
claramente, uma necessidade de confessar-se livre de tensões:
Se foram as volúpias e as perversões
tão azedas,
Neste poema "(b)", percebemos que a fase anterior é compreendida
como pervertida (perversões —
quinto verso). Como a figura feminina continua metaforizada em gato, concluímos
que as impressões de ameaça, de perigo, reveladas na primeira
parte (poema "(a)"), são decorrentes, em grande parte,
da concepção de perversão do desejo. Ou seja, a figura
feminina, na primeira parte, é tanto mais ameaçadora quanto
mais desejada como resultado de perversões
tão azedas. Desejar o outro, no poema "(b)", não
traz em si a noção do pervertido; a China não é
uma proibição, é uma mulher disponível: popularmente,
as mulheres disponíveis para a prática sexual são chamadas
chinas (34). A linguagem afasta-se de significados carnais, torna-se
mais gentil e galante (sexto ao nono verso). Introduz-se um tom lúdico
na relação entre o eu e o outro na lembrança da canção
infantil:
Eu sou cravo, tu és rosa,
A relação amorosa, destituída de qualquer sentido animal,
passa a reconhecimento do outro:
Feito um prazer que chega todo dia.
Mas a inclinação para o lúdico, para o ideal não
é suficiente para conter o repontar mais forte do desejo reprimido.
A segunda estrofe retoma o erotismo que se disfarçara em idealização.
A formulação metonímica
Mas eu te cresço em meu desejo,
dá conta do assomar das pulsões do inconsciente que se debatem
com o princípio de realidade repressora:
Ai, que vivo arrasado de notícias!
No verso
Murmurando com medo ao teu ouvido:
o eu denuncia toda sua angústia, não conseguindo evitar a
palavra medo.
No embate entre pulsões eróticas e angústia da repressão,
por um momento prevalecem as pulsões, na confissão de sensação
voluptuosa de ternura e erotismo:
Tu te gastas sob o meu peso bom,
Basta um instante em que os impulsos eróticos se libertem para que
ressurja a angústia da repressão:
Mas eu insisto em meu castigo, ôh China.
O verso isolado, como um grito do terror psíquico da luta entre desejo
x angústia, anuncia a "solução" do conflito
vivido pelo eu. Assim é que, na última estrofe, o objeto para
o qual se voltam as pulsões eróticas é transformado
em gato chinês. Perde suas conotações
ameaçadoras, posto que agora é frio, inerte, feito de porcelana,
apenas para ser contemplado:
Para meu gozo só, pra meu enfeite só
de mim,
A "solução" do drama interior aproxima-se da encontrada
no conto de Edgar A. Poe: gato (totem) é transformado em porcelana
(gato chinês), o que equivale a um emparedamento.
Emparedado o objeto de desejo, o eu confunde-se com sua própria vítima
porcelanizada, à qual retorna
Até que fui guardar nos teus cabelos perdidos
e confessa-se impotente, morto, também porcelanizado:
Lágrima que não pude sem chorar.
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Comparando-se
os dois movimentos de "Os gatos" — poema "(a)"
e poema "(b)", vemos que na primeira parte há reminiscências
do erotismo oral. A figura feminina, simbolizada em gato,
é tratada na segunda pessoa do plural; esse tratamento implica
um relativo distanciamento do eu em relação ao objeto. Na
segunda parte, a mulher, ainda metaforizada em gato,
é tratada na segunda pessoa do singular; essa mudança de
tratamento indica uma aproximação mais íntima entre
o eu e o objeto. Contudo em ambas as partes as conotações
de ameaça, de destruição, prevalecem, uma vez que
é mantida a similaridade entre gato e figura feminina. Nos impulsos
eróticos atuais, permanece a lembrança de angústias
passadas, sugeridas pela figura da mulher/mãe, na representação
do totem gato (35).
No intrincado de metáforas contidas em gato,
temos, na motivação poética da expressão do
desejo, resíduos da angústia da castração,
na base das tensões que buscam liberação no discurso
lírico.
O poema "Os gatos" revela a permanência de outros tipos
de angústias primitivas. A angústia do nascimento está
presente no tema da enxurrada, do mergulho em um tempo anterior ao conhecimento.
A angústia da separação, do desmame, está
indicada na cor branca, uma das características do gato do poema
"(a)". A angústia do conhecimento, pela qual o "criminoso"
reconhece sua culpa, está no movimento de retorno à mulher/gato
chinês. A angústia da morte encontra-se no tema da morte
na enxurrada, no gato chinês, na impotência para chorar.
Para concluir, podemos dizer que
"Os gatos" é um poema do pathos,
onde a angústia da castração, entrevista como possibilidade
de morte, conduz à morte do eu e da figura feminina ameaçadora,
donde a tensão que se mostra na expressão poética
do desejo. |
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NOTAS E REFERÊNCIAS
1- FREUD, Sigmund. Escritores criativos e devaneios.
In: ___. Edição standard das obras psicológicas
completas de Sigmund Freud. Trad. Jayme Salomão.
Rio de Janeiro: Imago, 1976, v.9, p. 157.
2- ANDRADE, Mário de. Poesias completas.
Ed. crítica por Diléa Zanotto Manfio. Belo Horizonte: Itatiaia;
S. Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1987. p. 313-5.
3- FREUD, Sigmund. Escritores criativos e devaneios,
op. cit., p. 156.
4- LAFETÁ, João Luiz. Figuração
da intimidade. Imagens na poesia de Mário de Andrade.
São Paulo: Martins Fontes, 1986. p. 65-94.
5- KRISS, Ernst. Psicanálise da arte. Trad. Marcelo Corção.
São Paulo: Brasiliense [1968] p. 195.
6- BONAPARTE, Marie. Le chat noir. In:____.
Edgar Poe, sa vie, son oeuvre. Paris: P.U.F., 1985, p. 581.
7- Id., ibid.
8- A respeito da interpretação
do primeiro verso, remetemos a João Luiz Lafetá, op. cit.,
p. 73.
9- É interessante observar que, mesmo
no plano fônico, essa significação do assustador parece
ser imanente ao objeto: "Boca rajada, boca rasgada ..."
(grifos nossos). Note-se a aliteração. Recomendamos João
Luiz Lafetá, op. cit., p. 73-4.
10- Marie Bonaparte, op. cit., p. 561.
11- Id., ibid., p. 561. Contudo, esperamos que
a última comparação já não seja pertinente
em nossos dias, considerando-se a nova compreensão a respeito da
mulher que começa a surgir.
12- Id., ibid., p. 563. Freud aborda o assunto
em várias ocasiões. Ver, por exemplo, Esboço de psicanálise.
Trad. José Octavio de Aguiar. In: Freud. São Paulo:
Abril Cultural, 1978. p. 206 (Os Pensadores); e Leonardo da Vinci e uma
lembrança de sua infância. Trad. Walderci do Ismael de Oliveira.
In: FREUD, Sigmund. Edição standard das obras completas
de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1970, v. 11, p.
88-9.
13- Marie Bonaparte, op. cit.
14- Id. , ibid., p. 561 e seguintes.
15- Veja-se a interpretação de
João Luiz Lafetá, op. cit., p. 87-8, que acrescenta: "Mas
a boca é também o órgão da fala, e o cruzamento
das duas funções pode resultar em um novo símbolo:
a palavra erotizada, a sexualização mítica do verbo
poético, que se transforma em meio fecundante e inseminador"
(p. 88).
16- FREUD, Sigmund. Delírios e sonhos
na “Gradiva” de Jensen. Trad. Maria Aparecida Moraes Rego.
In: ____ Edição standard das obras completas
de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1976. v. 9. p. 62.
17- FREUD, Sigmund. Delírios
e sonhos na “Gradiva” de Jensen, op. cit., p. 55.
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18- Id., ibid., p. 42.
19- POE, Edgar Alan. O gato preto. In: ____ Ficção
completa, poesia e ensaios. Trad. Oscar Mendes. Rio de Janeiro:
Aguilar, 1965, p. 293-301.
20- Se tivéssemos apenas ouvido a lição
de Todorov. As estruturas narrativas, principalmente
p. 159 e Introdução à literatura fantástica,
principalmente p. 55. Porém relemos Edgar A. Poe de acordo com
a interpretação de Marie Bonaparte, op. cit.
21- A respeito da refalização da
mulher, recomendamos Marie Bonaparte, op. cit., p. 566.
22- "A ansiedade nos sonhos de ansiedade,
como toda ansiedade neurótica em geral corresponde a um afeto sexual,
a um sentimento libidinal e surge da libido pelo processo de repressão.
Portanto, ao interpretarmos um sonho devemos substituir a ansiedade por
excitação sexual"; in: FREUD, S. Delírios e
sonhos na “Gradiva” de Jensen, op. cit., p. 66.
23- Estamos transpondo formulação
de FREUD, S. Delírios e sonhos na “Gradiva” de Jensen,
op. cit., p. 65.
24- Mário de Andrade, op. cit., p. 97-8.
A respeito da reutilização de versos na obra marioandradiana,
recomendamos KNOLI, Victor. Paciente arlequinada. Uma leitura da obra
poética de Mário de Andrade. São Paulo:
Hucitec, 1983. p. 75-138 (Linguagem).
25- João Luiz Lafetá, op. cit.,
p. 77-8.
26- Consideramos oportuno lembrar a interpretação
de João Luiz Lafetá, que entende que, após a realização
do ato amoroso (terceira estrofe) , "a quarta estrofe expõe
a lassidão posterior em que o sujeito mergulha voluptuosamente,
inconsciente e desdenhoso da existência dos instintos, antes exigentes,
já agora apaziguados", op. cit., p. 89-90.
27- Naturalmente, não perdemos de vista
a análise que faz João Luiz Lafetá, op. cit., p.
75-7. Em nossa leitura, procuramos ver também outros ângulos
da questão.
28- ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano.
A essência das religiões. Trad. Rogério
Fernandes. Lisboa: Livros do Brasil, s.d., p. 141 (Vida e Cultura) .
29- Id., ibid., p. 143.
30- Id., ibid. , p. 142.
31- Id., ibid., p. 140.
32- Id., loc. cit.
33- Marie Bonaparte, op. cit., p. 566.
34- MAIOR, Mário Souto. Dicionário
do palavrão e termos afins. Recife: Guararapes, 1980.
35- Sobre as angústias
primitivas, v. Marie Bonaparte, op. cit., p. 579-80. |
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