| À guisa
de apresentação
A publicação destas cartas, bilhetes
e telegramas constitui uma homenagem ao centenário de nascimento
de João Lyra Filho, ao 80º ano da conclusão de seu
curso de direito na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais
do Rio de Janeiro e da publicação de seu primeiro livro,
A intervenção do Estado na ordem econômica.
Os documentos aqui selecionados fazem parte de seu vasto acervo, doado
em 2002, ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação
Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.
Os critérios de edição destes documentos são
os mesmos que adotei em trabalhos anteriores como Luís, toujours
lui: cartas de Câmara Cascudo a Bernard Alléguède
(2002) e Flama serena: cartas de Luís da Câmara Cascudo
a João Lyra Filho (2005).
A transcrição destas mensagens foi efetuada a partir de
seus originais que se encontram no AMLB.
Nesta seleção predominam as mensagens em que são
comentadas produções intelectuais do Destinatário
e suas ações como homem público. Assim, trinta livros,
dos cem publicados por João Lyra Filho, são aí apreciados,
o que nos permite acompanhar, ao longo de cinqüenta e sete anos,
um pouco de sua trajetória cultural. Eventualmente, são
aí fornecidas também notícias acerca de obras dos
missivistas, de outros escritores e fatos de nossa história contemporânea,
uma vez que muitos deles são seus protagonistas.
Estas mensagens refletem o respeito, a admiração, a estima,
a amizade, confessadamente fraterna, em alguns casos, de personalidades
da maior expressão do Brasil no século XX, algumas ainda
atuantes neste, homens e mulheres que se destacaram na literatura, no
jornalismo, na ciência, na política, no magistério,
no desporto, na magistratura, nas artes, enfim, nomes cimeiros que já
fazem parte da história de nosso País, a um dos mais completos
intelectuais brasileiros que, a par de sua vasta produção
bibliográfica, ainda não suficientemente conhecida e avaliada,
deixou a marca de sua laboriosidade nos vários campos em que atuou.
Entre os remetentes, incluem-se: Gilberto Amado, Rosalina Coelho Lisboa,
Oliveira Vianna, Hermes Lima, Gustavo Capanema, Odylo Costa, filho, Jorge
de Lima, Osvaldo Orico, Heráclito Sobral Pinto, José Lins
do Rego, Raul Bopp, Thiago de Mello, Cyro dos Anjos e Pedro Calmon.
Na transcrição destes documentos, meu cuidado maior foi
o de assegurar a fidelidade aos originais, além de sua inteligibilidade
e o realce de seu valor intrínseco.
Não foi efetuada a atualização de acordo com as normas
vigentes nos documentos datados anteriormente à reforma ortográfica.
Assim, permanecem os acentos diferenciais (circunflexos diferenciadores
de homógrafos); os acentos grave e circunflexo nas sílabas
subtônicas, como em advérbios de modo; os acentos agudos
de oxítonos terminados em i e u, sem hiato; as letras mudas, as
abreviaturas, etc.
A pontuação original dos documentos foi mantida, mesmo quando
em desacordo com a norma.
Quando indicam ênfase, foram mantidas as palavras em caixa alta
e as sublinhadas.
Estas mensagens são publicadas, pois, conforme a documentação.
Salvo o uso do itálico em palavras e expressões em língua
estrangeira e em títulos de obras, que aí aparecem, ora
com todas as letras maiúsculas, com ou sem sublinha, ora apenas
entre aspas, ora ainda somente com sublinha, e salvo também a uniformização
dos títulos de obras do Destinatário e a grafia do seu nome,
não efetuei outras intervenções no texto e, em sua
fixação, procurei preservar suas características
cursivas. Entendo que outras correções que eu viesse a efetuar
equivaleriam à subtração da espontaneidade do estilo
predominante nos manuscritos. Permaneço fiel aos ensinamentos de
Jean-Philippe Arrou-Vignod em Les discours des absents (1993):
“(...) cada carta é seu próprio rascunho. Ao contrário
desse objeto polido, igualado, que é um fragmento da prosa romanesca,
a carta conserva o aspecto bruto de um esboço.”
Incluí em notas de rodapé dados biobibliográficos
dos missivistas e de outros autores citados, informações,
esclarecimentos e comentários de fatos aludidos no texto do respectivo
documento transcrito. Lastimo que não tenha sido possível
identificar pessoas mencionadas em alguns documentos. Também informei
a referência bibliográfica de livros e ensaios aí
referidos.
Roberto da Silva
Natal, abril de 2006
O DESTINATÁRIO - João
Lyra Filho (1906 – 1988)
Jornalista, poeta, contista, professor,
sociólogo, jurista, financista, memorialista, biógrafo,
epistológrafo e orador. Ocupou relevantes cargos da administração
pública, entre os quais: Secretário de Finanças do
antigo Distrito Federal, Presidente da Junta de Controle da Superintendência
de Urbanização e Saneamento do Estado da Guanabara, Ministro
do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara e Reitor da Universidade
do mesmo Estado, em cuja gestão foi construído o Campus.
Presidiu o Botafogo de Futebol e Regatas, o Conselho Nacional de Desportos
e a Academia Carioca de Letras.
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