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Sônia Maria van Dijck Lima - Université Paris-X-Nanterre - 2007 Sagarana: un livre et beaucoup d’histoires Résumé |
| L’histoire du livre
En 1946, Guimarães Rosa était déjà lauréat, ayant remporté plusieurs prix et n’était donc pas un inédit. 1929 : Le
conte "Mystério de Highmore Hall" a été
sélectionné dans le concours promu par le magazine O
Cruzeiro (Rio de Janeiro), et publié dans l’édition
du 7 décembre de cet hebdomadaire. * “Chronos Kai Anagke (Temps et destinée)", “la plus extraordinaire histoire d’échecs jamais expliquée aux adeptes et non adeptes de l’échiquier, dans un conte de João Guimarães Rosa” - “Caçadores de camurças”*, également chez O Cruzeiro, le 12 juillet. * “Chasseurs de daims” 1937: il a gagné le 1e. Prix de Poésie de l’Academia Brasileira de Letras, avec Magma*, le 29 juin. Toutefois ces textes n’ont
pas eu de répercussion, ils n’ont présenté
que son auteur aux critiques. *
Magma est resté inédit jusqu’à 1997,
alors de sa publication par Nova Fronteira (Rio de Janeiro). |
| L’histoire de Sagarana commence avec l’inscription du volume Contos (Contes) au Prix Humberto de Campos, institué par l’Éditeur José Olympio. Guimarães Rosa s’est inscrit le 31 décembre 1937, sous le pseudonyme de Viator. Le règlement du Prix “Humberto de Campos” et un incident se sont chargés de laisser Guimarães Rosa écarté de l’ambience littéraire pendant quelques années: Como em todo concurso, a identidade do autor era desconhecida e ele assinava-se apenas "Viator", pseudônimo de itinerante. Realizado o concurso, verificou-se que dos cinco juízes três votaram nos "Contos", sendo que dois mantiveram esse voto até o fim. Indagou-se então de quem poderia ser o livro, e em torno do caso até artigos foram escritos, inclusive por Marques Rebelo, um dos membros da Comissão Julgadora. Infelizmente, perdera-se o envelope contendo a identidade do autor, que assim continuou no anonimato, ao mesmo tempo que longe da pátria e por conseqüência alheio ao que se passava. * *
Pequena história de um grande livro. Texte de l'“oreille”
de la 3è. éd. de Sagarana,
Ed. José Olympio, 1951. |
| Marques Rebelo n’a pourtant pas oublié le concurrent: “Contos", de Viator; - livro grande, de cerca de 500 páginas, intensamente escrito. (...) Causou-me singular impressão este livro, o mesmo acontecendo com o sr. Prudente de Morais Neto. (...) E ficam aqui a este 'Viator' que ninguém conhece, e que tanto merecia entrar para a lista dos grandes contistas brasileiros, o meu derrotado aplauso e a minha admiração.* Grâce à la mémoire de Marques Rebelo, on a la description, achevée en 1946, du volume inscrit au concours de José Olympio: Era um grosso original encadernado com cuidado, quinhentas páginas de papel relatório, espaço dois, cerrado atochado – assustava muito.* * * MARQUES REBELO. Depoimento. O Prêmio Humberto de Campos. Dom Casmurro, Rio de Janeiro, 1939. Arq. JGR-IEB/USP-R1. **MARQUES
REBELO.Sagarana. A Manhã,
Rio de Janeiro, 28 abr. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| Maria Célia
de Moraes Leonel (1985: 250), dans la recherche des notes de Guimarães
Rosa, a remarqué:
muitos dos apontamentos de viagem, como está provado, foram recuperados no texto literário. (...) aliás, em Corpo de baile e Grande sertão: veredas há apenas a retomada de processo já utilizado largamente em Sagarana. Infelizmente os ‘Estudos’ e o Arquivo não conservam o material que exerceu, em relação ao primeiro livro, papel semelhante ao dos diários de viagem nos seguintes. Se algum documento desse tipo tiver restado, será em escala muito reduzida. LEONEL, Maria Célia de Moraes.
Guimarães Rosa alquimista: processos de criação
do texto. São Paulo, 1985. Tese (Doutorado em Letras) - Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São
Paulo. |
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Sezão - couverture en cuir
rouge – |
Témoins les plus anciens de la genèse de Sagarana conservés à l’Instituto de Estudos Brasileiros, de l' Universidade de São Paulo - Arq. JGR:
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| 1e. traversée du livre : de 1937 à 1946, quand il a été rendu au public sous le neologisme Sagarana |
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Letras e artes, Rio de Janeiro, 21 jul. 1946. Suplemento de A Manhã. Recorte. Arq. JGR-IEB/USP-R2. Guimarães Rosa a-t-il dit à João Condé : Bem, resumindo: ficou resolvido que o livro se passaria no interior de Minas Gerais. E compor-se-ia de 12 novelas. Aqui, caro Condé, findava a fase de premeditação. Restava agir. Então, passei horas e dias, fechado no quarto, cantando cantigas sertanejas, dialogando com vaqueiros de velha lembrança, “revendo” paisagens da minha terra, e aboiando para um gado imenso. Quando a máquina esteve pronta, parti. Lembro-me de que foi num domingo, de manhã. O livro foi escrito – quase todo na cama, a lápis, em cadernos de 100 folhas – em sete meses; sete meses de exaltação, de deslumbramento. (Depois, repousou durante sete anos; e, em 1945 foi “retrabalhado”, em cinco meses de reflexão e de lucidez). Lá por novembro, contratei com uma datilógrafa a passagem a limpo. E, a 31 de dezembro de 1937, entreguei o original, às 5 e meia da tarde, na Livraria José Olympio. O título escolhido era “Sezão”; mas, para melhor resguardar o anonimato, pespeguei no cartapácio, à última hora, este rótulo simples: “Contos” (título provisório, a ser substituído) por Viator. Porque eu ia ter de começar longas viagens, logo após. |
| Le "'retravaillé', en cinq mois de réflexion et de lucidité", a été expliqué dans une interview accordée à José César Borba (1946): Com a ruptura
das relações entre o Brasil e a Alemanha, fui internado
em Baden-Baden, onde fiz ótima camaradagem com o pintor Cícero
Dias, que leu, gostou e me animou a publicar “Sagarana”. Voltando
ao Brasil, mal pude passar umas poucas semanas no Rio, seguindo depois
para a Colômbia, de onde voltei em fins de 1944. Foi um custo para
achar um apartamento! E só depois, então, é que tornei
a pegar no livro. Fiz-lhe pouquíssimas alterações
de forma ou estilo, limitando-me a suprimir em uma ou duas histórias,
parágrafos que me pareceram supérfluos para o público,
embora tivessem para mim uma grande importância, mas toda de ordem
subjetiva. O que me preocupa e tortura, ao rever as páginas escritas,
é a angústia de evitar a chapa, o chavão, a frase-feita. |
| Dans une lettre
adressée à son père, le 6 novembre 1945, Guimarães
Rosa lui a parlé du travail avec Sagarana et de ses expectatives
par rapport à la fortune du livre: |
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SEZÃO, /1937/ - couverture en cuir rouge, 447 p. (1-444) SEZÃO * Postface |
SEZÃO, /1937/ - couverture en cuir noir, 446 p. (1-443)
<< >> = occurrence marginale |
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Rio de Janeiro: Universal, 1946 (Bib. Sônia van Dijck) Couverture: Geraldo de Castro |
Sagarana, 1946 O BURRINHO PEDRÊS |
| Dans l'interview accordée à Ascendino Leite (1946), Guimarães Rosa a-t-il dit: Sagarana: coisa que parece saga... Filei um sufixo do nheengatu... (JGR) |
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O Globo, Rio de Janeiro, 29 abr. 1946 Arq. JGR-IEB/USP-R2 |
La 1è. édition a été épuisée en quelques jours
*-*-*-*-* A Editora Universal acaba de lançar Sagarana, livro de contos brasileiros, de autoria do Sr. J. Guimarães Rosa, em segunda edição, já posta à venda em todas as livrarias da cidade. Lançado recentemente, o livro veio revelar um autor estreante da melhor qualidade, merecendo elogios da crítica e consagrando-se com a procura que o livro teve em todos os núcleos de gente de bom gosto. A segunda edição de Sagarana está destinada a atender aos inúmeros amigos dos bons livros que não haviam conseguido adquirir a obra no lançamento inicial. A Noite, Rio de Janeiro, 30 jul. 1946. Livros. Arq. JGR-IEB/USP-R2 |
2e. traversée du livre : de 1946 à 1958, l’auteur a travaillé les contes jusqu’à l’édition de 1958, retouchée, dans sa forme définitive. La bibliothèque de Guita et José E. Mindlin garde la documentation relative à la suite du travail en quête du texte. |
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2è. éd. Rio de Janeiro: Universal, 1946 (Bib. José Aderaldo Castello) Couverture: Geraldo de Castro |
Não vem!... Foi e não volta mais... Foi, rio... "Sarapalha", 1è. éd.
Não vem!... Foi, rio... "Sarapalha", 2è. éd. |
| Puisque les documents préparatoires des 2è. et 3è. éditions ne sont pas connus, seule la collation avec les éditions précédentes pourra auxilier la reconnaissance des transformations opérées par l’auteur. |
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3è. éd., revue, Rio de Janeiro: José Olympio, 1951 (Bib. Guita e José E. Mindlin) Couverture: Santa Rosa |
Em 3a. edição, revista, Sagarana apresenta-se aos leitores brasileiros, já consagrado pelo mais fulminante êxito literário de que se tem memória em nossa literatura moderna. (...) Apenas, como o autor desejasse rever pessoalmente todas as provas, que tinham de ir e voltar da Europa, várias vezes, era inevitável a demora.
Pequena história de um grande livro. Texte de l'“oreille” de la 3è. éd. de Sagarana, Ed. José Olympio, 1951. Texte de l'Éditeur. |
| En 1955, il a pris un volume de la 3è. édition comme exemplaire de travail afin de préparer la 4è. éd.; il a réalisé de nouvelles transformations qui ont abouti à la version définitive, ainsi dite, en 1956, laquelle est désormais signée par João Guimarães Rosa. |
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4è. éd., version définitive. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956 (Bib. Guita e José E. Mindlin) Couverture: Poty |
Em verdade, movido pela insatisfação permanente para com a obra acabada, o autor, embora ocupadíssimo na revisão das provas de um novo livro de novelas - Corpo de Baile - e na conclusão de seu primeiro romance - Grande Sertão: Veredas - não permitiu que Sagarana fosse ao prelo sem antes retocá-lo de modo drástico. E isto, observe-se dez anos depois de sua primeira edição, o que bem revela certos aspectos da criação literária em Guimarães Rosa.
Guimarães Rosa versus Sagarana. Texte de l'"oreille" de la 4è. éd. Texte de l'Éditeur. |
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Alterosas, Belo Horizonte, n. 75, jul. 1946 Arq. JGR-IEB/USP-R1 |
Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 29 fev. 1956 Arq. JGR-IEB/USP-R3 |
Grande sertão: veredas
(Rio de Janeiro: José Olympio) a paru le 17 juillet 1956. |
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5è. éd., retouchée et dans la forme définitive. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958 (Bib. Guita e José E. Mindlin) Couverture: Poty |
En 1957, João Guimarães Rosa a pris un volume de la 4e. éd. comme exemplaire de travail pour préparer la 5e. éd. Il a fait de nouvelles modifications et, en 1958, la 5e. éd. est sortie, dite retouchée et dans la forme définitive. La 5è. éd. est donc le dernier témoin de l’écriture du livre. |
| DOSSIER DE LA GENÈSE DE SAGARANA
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| Mouvements de l'écriture analyse de fragments - construction du Major Saulo |
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Arq. JGR-IEB/USP-R2 |
| É aqui, perto do vau da [ponte velha:] <Sarapalha>: tem uma fazenda denegrida e desmantelada; (SA) [...
] = rature |
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| Ali, na beira do <rio> Pará, (SA) < > = interligne
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Une attention spéciale a été donnée à la ponctuation. Ainsi, l’auteur gratte le texte, il ajoute des signes et en transforme d’autres, dejà graphiés en de nouveaux signes. Il cherche, le plus fidèlement possible, l’expression de la subjectivité des personnages, les traits d’un paysage décadent aussi bien qu’un réflet du climat psychologique du drame du Cousin Ribeiro et celui du Cousin Argemiro, Guimarães Rosa paraît alors écrire à travers la ponctuation : il supprime les virgules, il les remet, il échange point et virgule contre deux points, et ainsi de suite. Dès le premier moment de l’élaboration, il avait rangé interrogations et exclamations avec points de suspension; dans cette nouvelle étape, il gratte l’exclamation et ne laisse que les points de suspension; dans d’autres cas, il gratte les points de suspension, il transforme le premier des points en point final, dans un artisanat qui cherche à se créer un rythme, une façon de parler, tel est le cas dans le passage suivant de "Sarapalha":
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| .................................................................................................. |
Le narrateur a
une attitude cultivée et spécialisée, il se laisse
trahir en tant que projection du médecin qui connaît bien
la "maleita" (malaria). Quoiqu’on lui ait permis de parler
de "anofelino" (anophèle) et de "dáfnias"
(daphnies), il est amené, en un mouvement dialectique, à
se surmonter et à se confirmer, afin de mieux participer de l’univers
des personnages. Ainsi, quand il décrit les habitudes du moustique
qui transmet la maladie, il préfère remplacer le terme scientifique
par un syntagme qui traduit davantage la compréhension des victimes:
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![]() |
de dia: está dormindo, com a tromba repleta [de esporozoítos;] <de maldades;> (SA) [...
] = rature |
| Il en arrive
de même quand il explique les effets de la contamination sur l’organisme: |
![]() |
Mas ele tem no baço duas colméias de [hematozoarios,] <de bichinhos maldosos,> que (SA) Malaria: images de l'internet [...
] = rature |
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Photo: Guy Joseph
1SE = Sezão,
couverture en cuir rouge |
O burrinho pedrês
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| La construction du caractère du Major Saulo
(“O burrinho pedrês”- 5ED)
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| SAGARANA et la répercussion critique en 1946 |
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Fragment Arq. JGR-IEB/USP-R2 |
Guimarães Rosa: un auteur attentif à la critique Transcrition: "SAGARANA" EM RECORTES |
| D'après la leçon de H. R. Jauss, la réception d'un texte présuppose toujours le contexte d'expérience antérieure dans lequel s'inscrit la perception esthétique: le problème de la subjectivité de l'interprétation et du goût chez le lecteur isolé ou dans les différentes catégories de lecteurs ne peut être posé de façon pertinente que si l'on a d'abord reconstitué cet horizon d'une expérience esthétique intersubjective préalable qui fonde toute compréhension individuelle d'un texte et l'effet qu'il produit. (p. 56) l'esthétique de la réception exige [...] que chaque oeuvre soit replacée dans la "série littéraire" dont elle fait partie, afin que l'on puisse déterminer sa situation historique, son rôle et son importance dans le contexte général de l'expérience littéraire. (p. 69) JAUSS, H. R. Pour une esthétique de la réception. Trad. Claude Maillard. Paris: Gallimard, 1978. (tel, 169). Chaque
époque et chaque groupe social a son répertoire de formes
du discours dans la communication socio-idéologique, selon Bakthtin
(Le marxisme et la philosophie du langage) BAKHTIN, Mikhail (V. N. Volochínov).
Marxismo e filosofia da linguagem. Problemas fundamentais do método
sociológico na ciência da linguagem, 4ª ed. Trad.
Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 1988,
p. 43. |
| Le canon régionaliste en 1946: José de Alencar et Franklin Távora, depuis le XIX siècle, - José Américo de Almeida, à partir de 1928, par exemple... Horizon d'attente: intérêt pour le régionalisme – lecteurs tournés vers la quête de la reconnaissance d’une identité national |
| Sur la littérature régionale, Brito Broca a-t-il dit: Ora, esse gênero sempre se caracterizou, entre nós, pela tendência romanesca e sensacionalista, que a influência do realismo não conseguiu abolir. Tendência justificável no que se refere às zonas de sertão bravio, às regiões castigadas do Norte e do Nordeste, onde a aventura, o perigo, a incerteza andam por toda parte, mas pouco aceitável em setores rurais de vida agrícola e pastoril estabilizada, como os do centro sul. Aqui os assassinatos, as tragédias, as tocaias heróicos e fascinorosos constituem uma nota excepcional, inclinada a soar falso. Os ficcionistas rústicos do centro sul, que tomaram Afonso Arinos por mestre, parecem não haver percebido que o autor de Histórias e paisagens focaliza o sertão mineiro numa fase ainda heróica de sua evolução histórica, embora não precisamente identificada, já que os contornos dos quadros se esfumam em certa indeterminação idealista. E assim continuaram a ver por aí descendentes de Pedro Barqueiro, como se os povoados da Mantiqueira andassem infestados de bandoleiros românticos e cavalheiros, do tipo Mauprat, de George Sand. BRITO
BROCA. Bucolismo anti-romanesco. A Manhã, Rio de Janeiro,
11 ago. 1946. Arq. JGR-R2. |
| Réception critique et le débat autour du régionalisme |
| Álvaro Lins - le premier critique qui s’est occupé de Sagarana, tout de suite après sa parution en avril 1946. Comparaison de Sagarana au monument Os sertões (de Euclides da Cunha) À propos de "São Marcos", a-t-il souligné: ... com uma descrição da natureza, tão monumental nas proporções e tão orquestral no jogo dos vocábulos, que logo faz lembrar, involuntariamente, a maneira euclidiana. On indiquait donc, à partir du texte de Lins, la direction de la critique. Lins a perçu le portrait physique, psychologique et sociologique d’une région à l’intérieur de Minas Gerais, il s’en est occupé de son caractère régionaliste – il a fondé la polémique autour du régionalisme: Mas o valor dessa obra provém principalmente da circunstância de não ter o seu autor ficado prisioneiro do regionalismo, o que o teria conduzido ao convencional regionalismo literário, à estreita literatura das reproduções fotográficas, ao elementar caipirismo do pitoresco exterior e do simplesmente descritivo. (...) Em Sagarana temos assim um regionalismo com o processo da estilização, e que se coloca portanto na linha do que, a meu ver, deveria ser o ideal da literatura brasileira na feição regionalista: a temática nacional numa expressão universal, o mundo ainda bárbaro e informe do interior valorizado por uma arte civilizada e por uma técnica aristocrática de representação estética. LINS, Álvaro. Uma grande
estréia. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 abr.
1946. Jornal de crítica. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| Francisco de Assis Barbosa Regionalista, no bom sentido da palavra, (...) O interior de Minas está inteirinho nas suas novelas, escritas com uma técnica verdadeiramente notável, onde encontramos sempre a palavra exata, a composição perfeita, até com requintes que chocam em meio à maneira desmazelada e muitas vezes antiliterária de certos escritores, nomes consagrados. (...) Mas não estaremos nós narcotizados por tanto desleixo, por tanta incorreção gramatical? BARBOSA, Francisco de Assis. Sagarana. Diretrizes, Rio de Janeiro, 29 abr. 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| José Lins do Rego erudição botânica - conhecimentos de zoologia - uma quase pedante exibição de detalhes que nos enfada * se não chega a ser a obra-prima da exaltação do poeta Augusto Frederico Schmidt**, é um magnífico livro de contos, como já nos deram o Sr. Monteiro Lobato ou o Sr. Luiz Jardim.* *REGO, José Lins do. Sagarana. O Globo, Rio de Janeiro, 10 maio 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R1.
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| Genolino Amado Notam-se, aliás, entre as obras de ficção e os ficcionistas citados certos pontos de contato que vale a pena acentuar. Como Guimarães Rosa, Lobato era um nome quase totalmente desconhecido nos círculos intelectuais antes da vitória repentina e decisiva. Como Urupês, tem Sagarana um frescor de terra virgem, um cheiro de mato, uma graça cabocla de tipos e uma independência de linguagem que não se descobrem noutras criações de índole regional, constituindo esplêndido elemento de renovação para a prosa brasileira. AMADO, Genolino.
Em torno de um livro singular. Correio Paulistano, São
Paulo, 5 maio 1946. Arq. JGR-R1. |
| Critiques de Guimarães Rosa - horizon d'attente >>> Afonso Arinos, Alcântara Machado, Euclides da Cunha, Graça Aranha, Machado de Assis, Marques Rebelo, Monteiro Lobato, Simões Lopes Neto, entre autres, maîtres du conte et/ou maîtres de la littérature regionale. régionalisme avec le procès de stylisation opposé à un dit conventionnel régionalisme littéraire régionalisme dans le sens positif du mot |
| Renato Almeida (1946), (représentant les allures post-Estado Novo*): * État Nouveau O êxito do livro de contos do sr. J. Guimarães Rosa, Sagarana, vem sobretudo do motivo. O interesse pelo Brasil, através da sensibilidade ou da interpretação dos que dele se aproximam, emotiva ou analiticamente, ainda é dominante e essencial. Aqueles que acreditaram possível fixarmo-nos na orla da civilização litorânea e nos mantermos em contato permanente com a Europa, cuja cultura transplantamos para este lado do Atlântico, mas resguardando-a da contaminação da barbaria nativa, equivocaram-se e permaneceram marginais. (...) A vida dramática da gente do interior, nos países latino-americanos, é uma sugestão imensa e trazê-la à luz é ao mesmo tempo fazer obra de arte e pesquisa sociológica. ton politique O drama das populações do interior e o equívoco da civilização brasileira mais uma vez se patenteia. Ao invés de orientarmos a marcha do progresso para o interior, de uma forma racional, quer dizer preparando o material humano, deixamo-nos ficar nos contornos urbanos, seja nas zonas favoráveis, onde aumentamos o padrão de vida, e abandonamos o mais até que, pela ordem das coisas, porque Deus é brasileiro, as circunstâncias favoreçam melhores dias. Intérêt du livre: la vie dramatique des gens de l’intérieur, dans les pays latino-américains ALMEIDA, Renato. Sagarana.
Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 30 jun. 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| Oscar Mendes a systématisé deux notions de régionalisme (en 1946, on pourrait repérer la formulation de Álvaro Lins et celle de Francisco de Assis Barbosa) Criou-se um conceito
de regionalismo na verdade muito estreito. Para muitos, escritor regional
é apenas aquele que escreve usando termos de linguajar caipira
ou matuto para contar casos de muito pouca importância e de interesse
muito restrito. (...) Mas o verdadeiro escritor regional a nosso ver,
é aquele que, num cenário característico especial,
único por vezes, sabe fazer viver o drama universal da condição
humana. Poderá usar termos regionais para maior pitoresco e cor
local, mas apenas como um recurso estilístico e maior força
de caracterização. (...) Da leitura do livro do sr. Guimarães
Rosa não me veio a impressão dum regionalismo daquela espécie
limitada. MENDES, Oscar. Recomeçando. O Diário, Belo Horizonte, 14 jul. 1946. Alma dos livros. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| Antonio Candido: régionalisme et nationalisme littéraire. Rappelant la formation d’une conscience fédéraliste, la crise de 1929, l’Estado Novo (l’État Nouveau), la phase nationaliste, dont la proéminence, selon lui, a été Bilac, voyait dans la décennie de 40 une tendance à être chauviniste, et il a cité Gilberto Freyre comme porte-parole de ce courant. Et c’est dans ce contexte de saveur de la terre (expression employée par Candido) que Sagarana s’est présenté. Le critique a été le premier à souligner que, chez Guimarães Rosa, Minas est moins une région du Brésil qu’une région de l’art, avec des détails et des locutions et vocabulaire et géographie tissus de façon parfois presque irréelle, telle est la concentration du travail de l’auteur. Pour Antonio Candido - régionalisme "entre guillemets"(avant Sagarana): os escritores trouxeram a região até o leitor, conservando, eles próprios, atitude de sujeito e objeto (...) Guimarães Rosa construiu um regionalismo muito mais autêntico e duradouro, porque criou uma experiência total em que o pitoresco e o exótico são animados pela graça de um movimento interior em que se desfazem as relações de sujeito e objeto para ficar a obra de arte como integração total de experiência. Sagarana nasceu universal pelo alcance e pela coesão da fatura. ANTONIO CANDIDO. Sagarana. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 jul. 1946. Notas de crítica literária. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| Sérgio Milliet, le 19 mai: Sagarana é, entretanto, uma grande estréia. Mais pela promessa do que pela realização. Estamos diante de um escritor capaz, de uma grande obra. Se conseguir libertar-se de sua propensão para a anedota, o caso curioso, se puder livrar-se da tendência para o efeito e o rebuscamento, se se depurar enfim e tentar uma penetração mais vertical do mundo, há de dar-nos dentro em pouco uma grande obra. MILLIET, Sérgio. Sagarana. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 19 maio 1946. Diário crítico. Arq. JGR-IEB/USP-R1. Sérgio Milliet, le 21 juillet (à cause de l'article de), a-t-il dit: O jovem crítico
paulista considera que o sr. Guimarães Rosa transcende o regional
em seus contos, que “Sagarana nasceu universal pelo alcance
e a coesão da fatura” e, ainda, que a língua usada
“parece ter atingido o ideal da expressão literária
regionalista”. Desejaria que o sr. Antonio Candido esclarecesse
melhor a sua concepção do universal e nos dissesse também
em que essa língua erudita e admiravelmente artística de
Guimarães Rosa se prende ainda ao regional. Sagarana: amor ao efeito, um rebuscamento, uma profusão barroca que atordoam por vezes mas não penetram além da inteligência da gente. Milliet a-t-il conclu: Releio Sagarana depois do rodapé de Antonio Candido. Lerei sem dúvida outras vezes o livro. Para discuti-lo ainda, o que não deixa de ser ótimo sinal. MILLIET, Sérgio.
Leituras avulsas. Diário de Notícias, Rio de Janeiro,
21 jul. 1946. Diário crítico. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| Jauss: la résistance que l'oeuvre nouvelle oppose à l'attente de son premier public peut être si grande, qu'un long processus de réception sera nécessaire avant que soit assimilé ce qui était à l'origine inattendu, inassimilable. Il peut en outre arriver qu'une signification virtuelle reste ignorée jusqu'au moment où l'évolution littéraire, en mettant à l'ordre du jour une poétique nouvelle, aura atteint l'horizon littéraire où la poétique jusqu'alors méconnue deviendra enfin accessible à l'intelligence. (p. 73) JAUSS, H. R. Pour une esthétique de la réception. Trad. Claude Maillard. Paris: Gallimard, 1978. (tel, 169). Agrippino Grieco: o livro [Sagarana] parece-me opulento. Muitos episódios bons e, naturalmente, episódios maus. Há onde se lhe pegue. Existe. Mesmo nas ruins passagens (e que bom trabalho não as tem?), aí está, implícito, um grande livro futuro. GRIECO, Agripino. Sagarana. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 abr. 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
| Sagarana: parmi les plus vendus en 1946 Almeida Fischer: é verdade que certos críticos e cronistas exageraram um pouco os méritos do livro e se esqueceram de apontar-lhe as deficiências, o que explica, em parte, o sucesso obtido. ALMEIDA FISCHER. O conto na literatura. A Manhã, Rio de Janeiro, p. 14, 23 jun.1946, p. 14. Letras e Artes. Arq. JGR-IEB/USP-R2.
Alcântara Silveira: (peut-être plus réaliste et plutôt avec une certaine neutralité): ... bobagem afirmar — como estão fazendo a propósito de Sagarana e seus críticos - que a crítica entre nós é responsável pelo êxito do livro. O que houve no caso de J. Guimarães Rosa, foi apenas coincidência entre a opinião do povo e a do crítico (coisa que raramente acontece) e por isso Sagarana tem sido lido. ALCÂNTARA SILVEIRA. Garimpos e vaqueiros. O Estado de S. Paulo, 14 out. 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R1. |
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Sagarana: nouvelle sève pour le courant régionaliste - esprit nationaliste - tourné vers les populations écartées des centres de pouvoir La polémique critique: orientée par une attitude comparative (de grands contistes – des noms reconnus du régionalisme). Débat critique: fait à la lumière du canon en vigueur jusqu’à 1946. Sagarana entre dans le canon >>> exemple de vrai régionalisme; régionalisme de "technique aristocratique de représentation esthétique"; régionalisme "dans le sens positif du mot", comme la critique a essayé de l’expliquer. ... ou Sagarana tout court, pour la fortune de la Littérature Brésilienne. |
| VISITEZ: Archives littéraires au Brésil Midi: Peixe-vivo (Populaire) Matériel didactique. Reproduction interdite. Création: Sônia van Dijck Traduction: Aglaé Fernandes Université Paris X - Nanterre - 2007 Remerciements
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